O ENFRENTAMENTO DAS HEPATITES EM BARCARENA


O ENFRENTAMENTO DAS HEPATITES  EM BARCARENA
O ENFRENTAMENTO DAS HEPATITES EM BARCARENA

A intensificação do combate as hepatites B e C em Barcarena ganha nova força com o Plano Amazônico de Enfrentamento às Hepatites Virais, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com os Estados do Pará, Acre e Amazonas. 

De acordo com Cisalpina Cantão, coordenadora estadual de hepatites virais, dois municípios paraenses foram contemplados para a execução do Plano Amazônico de Enfrentamento às Hepatites Virais: Barcarena e Santarém. Em Barcarena, as atividades já são realizadas há dois anos pela Atenção Básica da Semusb, que passa a intensificar as ações de testagem, capacitação, orientação e monitoramento. “Vamos trabalhar em Barcarena e nas comunidades do entorno para fazer testagens em ribeirinhos e quilombolas. Vamos até as comunidades para promover a realização de testes rápidos das hepatites B e C, orientando e falando sobre a prevenção. Em caso positivo, os exames serão encaminhados para o CTA para atendimento no programa de hepatoproteção”, disse a coordenadora. Até 2020, todo o município, que é rodeado por ilhas e estradas, deverá estar coberto contra a doença.

Para Márcia Iasi, coordenadora do projeto de hepatoproteção do município e assessora técnica da coordenação estadual de hepatites virais, Barcarena conta, atualmente, com 42 casos diagnosticados de hepatites B e C, acompanhados e tratados no próprio município: “Cada vez que se tira uma pessoa do seu âmbito familiar para tratar a doença fora do município, isso tem custos mensuráveis, com tratamento e passagens, e os custos que não se conseguem mensurar, como é o caso daquele doente que vai ficar numa cidade que muitas vezes não conhece e onde não tem ninguém que o acompanhe, ficando em condições que não são favoráveis. Com o projeto, criamos acesso para o tratamento no próprio município”.

Segundo Tatiane Lobato, enfermeira do projeto de hepatoproteção da Semusb, o enfrentamento inicial foi realizado nas áreas do Castanhalzinho e Imobiliária. “No Castanhalzinho, percebemos um grande número de caminhoneiros. A questão da promiscuidade sexual lá é altíssima, por isso existem muitos casos na área”, avaliou. Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Endemias serão os Agentes H, passando por capacitação e atuando diretamente nos casos.

A hepatite é uma doença silenciosa e sem sintomas que, geralmente, aparece na fase mais avançada com a cirrose ou mesmo o câncer de fígado. “Se você tem 40 anos ou mais, faça o teste gratuito nas unidades de saúde, principalmente pessoas que têm tatuagem e mantêm relações sexuais sem proteção ou mesmo que compartilham alicates de unha. As hepatites são transmitidas pelo sangue e pelo sexo sem proteção”, ressalta Márcia Iasi. Segundo ela, os casos mais complexos com necessidade de transplantes são encaminhados para Belém. A eliminação das hepatites também é uma meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).